Alguns acreditam que a vida é fruto de um
milagre, outros que ela é fruto da evolução. Todas essas teorias podem (tentar)
explicar o início e o final da vida, de onde viemos e para onde vamos, mas isso
nada tem a ver com o sentido da vida.
O sentido da vida são as pessoas com as
quais temos a oportunidade de nos relacionar e não os bens que conquistamos;
como tratamos aqueles que nos amam e como demonstramos amor, carinho e respeito
por aqueles que estão à nossa volta, enquanto eles ainda estão a nossa volta ou
enquanto ainda temos tempo.
Como você
trata a sua família mostra muito de quem você é: Amar seus pais e obedecê-los
mesmo não concordando com eles mostra sabedoria; ouvir todas as histórias de
seus avós pela terceira vez mesmo quando está com pressa, mostra paciência e
compaixão; fazer algo que não gosta por seu irmão ou amigos mostra que seu
interesse não está voltado para si mesmo.
Numa dessas de viver o sentido da
vida, você encontra pessoas de todas as classes, credos, cores e lugares
diferentes e o jeito como você convive com elas mostra o quanto você respeita o
diferente. Ninguém é dono da verdade! Somos apenas seres-humanos. Somos seres e
humanos ao mesmo tempo e, às vezes, isso é difícil. Tanto é que vez ou outra
alguns acabam se esquecendo de uma das duas partes.
Pode ser que seja mais
fácil caminhar com pessoas que compartilham do mesmo sentido que você mas isso
não te impede de amar, com a mesma ou com mais intensidade, aquelas que não
compartilham. Por isso, só por alguns segundos, eu quero esquecer esse negócio
de "sentido" e me focar mais no negócio de "vida".
Teremos que fazer escolhas por que a vida é
isso e, as vezes, essas escolhas nos levam para perto ou para longe, nos une ou
nos separa, nos aproxima ou nos distancia. Não se preocupe com o resultado,
preocupe-se em fazer sentido na vida das outras pessoas. Que elas olhem para
trás (ou para frente) e saibam exatamente por que você esteve/estará ali.
sábado, 21 de março de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
Classe média pode dar cadeia
O mais novo pecado no
Brasil é pertencer à classe média. É um crime! E se você faz parte desse
grupinho mesquinho e elitista você não é digno de ter uma opinião política.
Detalhe importante é que durante o governo petista, segundo eles próprios
exaltam, a maioria dos brasileiros "passou" da pobreza pra classe
média, pelo menos essas eram as manchetes que apareciam na política
internacional, aclamando o Santo Lula, salvador da pátria. Isso sim é hipocrisia.
POUPEM-ME!
A primeira casa que morei desde que nasci até os 4 anos, no Rio de
Janeiro, era carinhosamente chamada de "Buraco quente" (tirem suas
próprias conclusões), a casa não era nossa, mas sim da minha avó. Minha família
tinha uma pizzaria em frente a casa para ajudar na renda. Nessa época nós
tínhamos apenas um carro, um Fiat Uno (e, acredite, esse carro foi o nosso
"upgrade"). Meu pai tinha que nos levar para todos os lugares o que
era relativamente fácil porque ele, "peão" na empresa que trabalhava,
saía do trabalho pontualmente as 17horas e logo já estava em casa.
Cada vez que
meu pai subia de cargo na empresa, mais tarde ele chegava em casa e podíamos,
eventualmente, comprar uma coisa ou outra que antes era difícil. Com isso
conseguimos nos mudar para um apartamento simples: dois quartos, uma vaga na
garagem. Tudo bem porque nós só tínhamos um carro mesmo: outro Fiat Uno, modelo
mais recente. Por anos, esse foi o único modelo de carro da minha família. Eu e
minha irmã estudávamos em colégio particular, mas era o colégio da minha tia,
onde minha mãe era professora, portanto, meus pais não precisavam pagar por
isso. Moramos ali por quase dez anos e meus pais só terminaram de pagar pelo
apartamento quando nos mudamos para São Paulo, anos depois.
A vinda para São
Paulo se deu por conta do trabalho do meu pai, nessa época ele já ocupava
cargos de mais destaque. Compramos uma casa, a maior que nós já havíamos morado
até então: 3 quartos e mais de 2 banheiros. Era um luxo que não estávamos
acostumados a ter. Meus pais matricularam a mim e a minha irmã em um colégio
nada barato, mas era a educação que as pessoas aqui recebiam e eles não queriam
que ficássemos para trás, tenho certeza que eles fizeram muitos sacrifícios
para conseguir isso. Anos depois eles também tiveram condições de pagar a
faculdade para mim e para minha irmã, e eu sei que não foi barato. Abro aqui um
parêntese para compartilhar da dor de milhares de estudantes esse ano que não
conseguiram efetuar suas matrículas nas faculdades porque nossa presidente
cortou o FIES.
Para tentar resumir a história depois de anos, mas muitos anos
mesmo. Depois de meu pai não chegar mais em casa sujo de graxa das máquinas,
mas chegar às 20h (às vezes 22h) e ir trabalhar de social, depois dele dedicar
mais de 15 anos de trabalho dentro de uma mesma empresa e ser reconhecido por
isso, depois, com a ajuda da minha mãe que por sua vez também trabalha ainda,
terem poupado e investido o dinheiro que ganharam através de seus trabalhos,
aumentando seus bens e poder aquisitivo, hoje a realidade é outra sim.
Nossa
casa é grande (apesar de eu já ter visto bem maiores), moramos em um condomínio
e cada um tem seu carro para ir trabalhar. Meus pais têm a possibilidade de
continuar ajudando meus avós, pagando uma “mesada” para eles, ajudam a família sempre
quando precisam (e também são ajudados quando precisam) e nós temos uma vida
relativamente confortável. Não temos dinheiro sobrando. Eu sei que quando eu
resolver sair de casa poderei contar com a ajuda deles, mas vou ter que
batalhar para construir meus próprios bens, porque eles não têm dinheiro para
me comprar uma casa nova e mobiliada, talvez eu mesma tenha que começar de algum “buraco
quente” por aí.
Eu tenho consciência de que eu não sou uma vítima e, portanto,
não tenho que e nem irei me colocar nesse papel mas POUPEM-ME de ser colocada no
banco dos réus. Não olhem para mim e julguem que eu tenho tudo de “mão beijada”
e que por isso não tenho condições moral de me colocar no lugar de alguém
necessitado, isso se chama compaixão e o fato de pertencer à classe média não
faz de mim uma pessoa sem compaixão, sem caráter ou sem sensibilidade à falta
de oportunidade de muitos. Ou que qualquer posição política que eu tenho é
visando os meus próprios interesses de classe média.
O que os acusadores deixam
passar é que quem chega à classe média nunca teve regalias na vida nem nunca
nasceu em berço de ouro. Quem chega aqui, chega com muito trabalho e esforço,
competência e força de vontade. Buscando uma melhor condição de vida. E todos
os bens que conseguem com dificuldade adquirir são declarados no imposto de
renda e descontados, bem descontados por isso. Os grandes ricos e milionários
ou já nasceram com a sua vida e das futuras gerações feita, sem precisar de
grandes esforços para administrar o que por “osmose” receberam ou são aqueles
que tiram de nós o que conseguimos com nossos trabalhos, os mesmos que oprimem
os pobres para que eles não cheguem a lugar nenhum. Esses nem sequer passam
pela classe média, a ascensão deles é imediata e, muitas vezes, imoral também.
Do dia para noite suas contas bancárias triplicam. Isso nunca aconteceu aqui em
casa, já aconteceu na sua?
Eu detesto generalizações mas tenho um certo receio
do que alguns (não todos porque cada um tem seus motivos e interpretações para
lutar por um ideal) desses acusadores da classe média não fariam diante de uma
grande quantidade de dinheiro. Eu já vi pessoas assim de perto, pessoas que abominam
o dinheiro e, por consequência, todos que tem um pouco mais, mas todos os dias
apostam na loteria: hipocrisia! Dinheiro fácil – ok, mas se você se deu melhor
que eu, você não presta. Será que essas pessoas estão mesmo preocupadas com os
mais pobres ou estão preocupadas em não serem os mais ricos? Não estou dizendo
que todos pensam desse jeito, estou dizendo que existe sim esse tipo de pessoa
mas também existe os que pensam nos demais (e eu não me retiro desse grupo). Seja qual for o caso, apenas uma dica: Vocês estão mirando no alvo
errado.
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