quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Enquanto os Beagles são resgatados ...


A notícia mais comentada nas redes sociais nos últimos dias é sobre o Instituto Royal e seus Beagles. O que nos leva, automaticamente, para a discussão do uso de animais para testes em laboratórios. Primeiramente, eu diria que a polêmica em si é sempre muito saudável, nenhuma grande revolução que ocasionou uma mudança verdadeira no comportamento de uma sociedade, foi originada por causa de um assunto que não fosse polêmico. Para haver mudanças, tem que incomodar, para incomodar tem que dividir opiniões e, para a mudança ser eficiente para todos é preciso saber ouvir as diferentes opiniões e analisá-las com cautela, considerando suas posteriores consequências. A parte ruim dessa história é justamente quando as pessoas não sabem aceitar opiniões diferentes da sua e, ainda por cima, aproveitam da oportunidade para levantar questões que, nem sequer estão relacionadas com o assunto. É difícil saber compreender diferentes pontos de vista, principalmente quando vidas estão sendo pondo em questão e uma vez que os ativistas partilham de uma paixão comum pelos animais e muitas vezes, erroneamente, devo acrescentar, não estão nem dispostos a ouvir opinião contrária as suas. Levando em consideração todos esses aspectos, resolvi dar a minha opinião, pois, estando eu “em cima do muro”, quem sabe não possa ser ouvida por ambas as partes. Antes que alguém me acuse de indecisa, eu digo que mais vale ainda não ter uma opinião, do que defender com convicção uma ideia que mais pode me prejudicar do que me trazer benefícios. Para começar a minha análise eu já digo aos ativistas que sim, eu compartilho de sua paixão pelos animais, também fico em estado de sublime encanto quando me deparo com um deles na rua e jamais seria capaz de agredi-los. Quando os encontro mal tratados, meu coração se parte em pedaços, e se tivesse condições, faria eu mesma alguma coisa para ajudá-los. Quando ouço alguns especialistas afirmarem que nós somos a classe dominadora, e os animais a classe dominada, não é que eu discorde de tal afirmação já que, no meu ponto de vista, ela é mesmo verdadeira. Eu discordo é da aplicação dela, uma vez que eu não acredito que isso nos dê o direito de maltratar os animais e sim, pelo contrário, isso nos dá a obrigação de protegê-los. Não concordo também com alguns grupos de vegetarianos que querem aproveitar disso para me convencer que, também por esse motivo, eu não posso mais comer carne. Primeiramente respeito a opinião de quem escolhe esse caminho, acho seus valores dignos e acredito que seus estilos de vida sejam mesmo saudáveis mas, no que leva em consideração esse aspecto, eu acredito mesmo que se todos os seres-humanos aderissem a essa dieta, teríamos outro problema para resolver. Quando a população de determinado animal excede à sua normalidade vários problemas se desencadeiam. Em alguns lugares, a caça é permitida para restaurar a normalidade do ecossistema. Então, desculpem-me quem acha que meu pensamento é medieval, mas, matar para comer, em minha opinião, nada mais é do que a lei da vida. Claro, provavelmente se eu visse tais animais serem mal tratados, o meu lado mais “humano” e menos “animal”, falaria mais alto, talvez, por pura aversão eu também não conseguisse comer mais carne. Mas é por isso que eu não tenho interesse em ver como esses animais são mortos e isso é uma opinião que eu também gostaria que fosse respeitada. Apesar disso, volto a dizer que todo animal deve ser bem tratado por nós enquanto vivos, independentemente de qual seja o destino deles. Por exemplo, se houvesse uma manifestação para fazer os matadouros terem mais consideração com esses animais, eu, sem hesitar, participaria mas, se alguém quisesse me convencer que todos os seres humanos deveriam virar vegetarianos, eu seria contra. Estou dizendo isso para elucidar o meu questionamento sobre o que é ou não aceitável a nós, enquanto classe dominadora, em relação aos animais. Eu jamais compraria um casaco de pele ou um sapato de couro, porque matar um animal para ganhar uma bolsa, um casaco ou qualquer bem material, para mim é inconcebível. É um motivo torpe, egoísta, asqueroso que me faz parecer menos com um humano e até com um animal, e me põe em uma classificação ainda não inventada de vidas inferiores. Porém, e se a morte de um animal significasse a vida de um ser humano? Você seria contra ou a favor? Percebam que, antes de sermos a favor dos animais, temos que ser a favor da espécie humana, lutar contra nós mesmos é um paradoxo. Assim sendo eu digo que, assim como eu vejo animais abandonados e mal tratados nas ruas, eu vejo também crianças. Eu vejo crianças sendo usadas para escravidão, prostituição e eu nunca vi ninguém invadindo lugar nenhum para tentar salvar essas crianças. É nesse ponto que eu me preocupo, na nossa indignação com certos assuntos e nossa passividade com outros, muito mais preocupantes. Estou querendo dizer com isso que os animais não valem a luta? De jeito nenhum. Qualquer vida vale uma luta, mas principalmente, a vida de um ser humano.  Se a cura do câncer e de tantas outras doenças pode hoje ser descoberta através de testes com animais em laboratório, então eu sou a favor. Pois cada animal pode salvar a vida de uma mãe, de um filho, de um pai, e isso não tem preço. Não acho que esses animais devam ser gratuitamente mal tratados, acredito que eles mereçam o máximo de qualidade de vida possível dentro do que é cabível. E, se toda essa discussão estiver encaminhando um novo modelo científico que seja tão eficaz quanto e que não tenha que envolver os animais, então terá valido a pena. Pois teremos usado nosso poder de classe dominadora, enquanto seres pensantes, para trazer benefícios e qualidade de vida não só para nós mesmos, quanto para todas as outras espécies que nos rodeiam e nos ensinam a sermos, cada vez mais, humanos.