Outro dia ouvi na rádio
que algumas autoridades andam discutindo sobre acrescentar a palavra amor à
bandeira do Brasil. Isso tudo muito me intrigou, pois mais uma vez o Brasil
tenta arranjar uma solução para tapar a consequência do problema e não a sua
verdadeira causa. Acrescentar a palavra “amor” à bandeira de nada valeria se
não acrescentarmos o verbo amar na sociedade brasileira. Se o que vem escrito
na bandeira que hasteamos orgulhosamente fosse verdade, esse país teria ordem e
progresso o que também não é o caso. Não é a ordem e o progresso que regem esse
país, é o dinheiro. A classe média se vangloria em dizer que são os pobres que
determinam o governo desse país uma vez que eles trocam seus votos por um prato
de comida e eu me pergunto o que há de glória em se abster do problema? Em “lavar
as mãos” e jogar a responsabilidade da miséria brasileira em cima dos que já
vivem nela? Apenas o fato de que quem comete tal julgamento tem o que
comer. Sim, se for esse o motivo, dê glórias, pois você é um privilegiado mas
não julgue. O que você seria capaz de fazer por um prato de comida? Espero que
você nunca tenha que responder a essa pergunta na prática. A verdade é que classe
média ou classe baixa, estamos tudo no mesmo barco. A diferença dos nossos
barcos é que pra classe média vende-se barcos de pau-a-pique com preço de navio
e para classe pobre vende-se a canoa com um buraco no casco, assim eles remam
sem sair do lugar. Acordem! A classe média trabalha duro para garantir a ordem
e o progresso desse país e não recebem salários justos por tais atividades. Os
pobres trabalham em dobro para garantir a ordem e o progresso desse país e não
recebem nem sequer o injusto por tais atividades. Enquanto isso um se revolta
contra o outro, um se julga melhor ou superior que o outro, e os ricos estão
lá: intactos. Vivendo em um pais que eles mesmos criaram para eles mas que não
é o mesmo para nós. Um país onde não temos o direito de entrar. Eles pegam a
nossa ordem e o nosso progresso, os mesmos que trabalhamos arduamente para
obter e usufruem de tudo sozinhos. Só nos restando a desordem e o caos. Eles
nos vendem um sonho, nós acreditamos nele, trabalhamos por ele, damos a vida
por ele e na hora de receber o sonho que compramos o que nos é entregue é a
mais pura e dura realidade. Depois tentam nos convencer de que somos
brasileiros e não podemos desistir nunca só para que, movidos pelo orgulho,
compremos o sonho novamente mas o final da história sempre é o mesmo: Eles
levam de nós a ordem e o progresso pelo qual trabalhamos dia após dia. Outro
dia eu ouvi uma música que dizia assim "Ouviram do Ipiranga às margens
plácidas de um povo heroico o brado retumbante. E o sol da liberdade em raios
fulgidos brilhou no céu da pátria nesse instante. Se o penhor dessa igualdade
conseguimos conquistar com braço forte".
Essa música contava que o povo brasileiro estava livre e que a igualdade
foi conquistada. Só que eu não consigo entender muito bem o que essa música
quer dizer com isso. Para falar a verdade acho que todos que a cantam não tem a
menor ideia do que significa. A música terminava dizendo "dos filhos deste
solo és mãe gentil, pátria amada Brasil". Se eu entendi bem o que esse
verso quis dizer é que somos todos filhos dessa pátria e eu nunca vi uma mãe
fazer distinção entre seus filhos. Ela dá a todos uniformemente o que tem de
melhor e se somos todos filhos do Brasil, isso faz de todos nós irmãos e eu
nunca vi alguém deixar seu próprio irmão morrer de fome. Então a verdade é que
não somos uma família brasileira, somos indivíduos dividindo o mesmo espaço e,
certamente, não de maneiras iguais. Lutando em vão por uma ordem e progresso
que só existe na nossa esperança cega. Mas quando olharmos uns aos outros e
enxergarmos nossos irmãos, poderemos acrescentar à bandeira dessa grande nação
brasileira a palavra amor e assim, quem sabe, o último ideal adicionado ao
sonho possa de fato trazer à realidade a ordem e o progresso pelo qual tanto
lutamos hoje.
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