segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Amor, ordem e progresso!


Outro dia ouvi na rádio que algumas autoridades andam discutindo sobre acrescentar a palavra amor à bandeira do Brasil. Isso tudo muito me intrigou, pois mais uma vez o Brasil tenta arranjar uma solução para tapar a consequência do problema e não a sua verdadeira causa. Acrescentar a palavra “amor” à bandeira de nada valeria se não acrescentarmos o verbo amar na sociedade brasileira. Se o que vem escrito na bandeira que hasteamos orgulhosamente fosse verdade, esse país teria ordem e progresso o que também não é o caso. Não é a ordem e o progresso que regem esse país, é o dinheiro. A classe média se vangloria em dizer que são os pobres que determinam o governo desse país uma vez que eles trocam seus votos por um prato de comida e eu me pergunto o que há de glória em se abster do problema? Em “lavar as mãos” e jogar a responsabilidade da miséria brasileira em cima dos que já vivem nela? Apenas o fato de que quem comete tal julgamento tem o que comer. Sim, se for esse o motivo, dê glórias, pois você é um privilegiado mas não julgue. O que você seria capaz de fazer por um prato de comida? Espero que você nunca tenha que responder a essa pergunta na prática. A verdade é que classe média ou classe baixa, estamos tudo no mesmo barco. A diferença dos nossos barcos é que pra classe média vende-se barcos de pau-a-pique com preço de navio e para classe pobre vende-se a canoa com um buraco no casco, assim eles remam sem sair do lugar. Acordem! A classe média trabalha duro para garantir a ordem e o progresso desse país e não recebem salários justos por tais atividades. Os pobres trabalham em dobro para garantir a ordem e o progresso desse país e não recebem nem sequer o injusto por tais atividades. Enquanto isso um se revolta contra o outro, um se julga melhor ou superior que o outro, e os ricos estão lá: intactos. Vivendo em um pais que eles mesmos criaram para eles mas que não é o mesmo para nós. Um país onde não temos o direito de entrar. Eles pegam a nossa ordem e o nosso progresso, os mesmos que trabalhamos arduamente para obter e usufruem de tudo sozinhos. Só nos restando a desordem e o caos. Eles nos vendem um sonho, nós acreditamos nele, trabalhamos por ele, damos a vida por ele e na hora de receber o sonho que compramos o que nos é entregue é a mais pura e dura realidade. Depois tentam nos convencer de que somos brasileiros e não podemos desistir nunca só para que, movidos pelo orgulho, compremos o sonho novamente mas o final da história sempre é o mesmo: Eles levam de nós a ordem e o progresso pelo qual trabalhamos dia após dia. Outro dia eu ouvi uma música que dizia assim "Ouviram do Ipiranga às margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante. E o sol da liberdade em raios fulgidos brilhou no céu da pátria nesse instante. Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte".  Essa música contava que o povo brasileiro estava livre e que a igualdade foi conquistada. Só que eu não consigo entender muito bem o que essa música quer dizer com isso. Para falar a verdade acho que todos que a cantam não tem a menor ideia do que significa. A música terminava dizendo "dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil". Se eu entendi bem o que esse verso quis dizer é que somos todos filhos dessa pátria e eu nunca vi uma mãe fazer distinção entre seus filhos. Ela dá a todos uniformemente o que tem de melhor e se somos todos filhos do Brasil, isso faz de todos nós irmãos e eu nunca vi alguém deixar seu próprio irmão morrer de fome. Então a verdade é que não somos uma família brasileira, somos indivíduos dividindo o mesmo espaço e, certamente, não de maneiras iguais. Lutando em vão por uma ordem e progresso que só existe na nossa esperança cega. Mas quando olharmos uns aos outros e enxergarmos nossos irmãos, poderemos acrescentar à bandeira dessa grande nação brasileira a palavra amor e assim, quem sabe, o último ideal adicionado ao sonho possa de fato trazer à realidade a ordem e o progresso pelo qual tanto lutamos hoje.

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